Na minha modesta opinião, esse vídeo força uma barra e o acho bastante tendencioso em obliterar uma ação do governo Dilma, o qual a TV Globo odeia.
Mas não vou entrar nessa questão. O que penso é que tendo mais em ser a favor do que contra. Cessar com a construção da usina é cessar com a possibilidade de expandir os recursos do Brasil para aquela região historicamente segregada. Fala-se em índios... a usina não pretende dizimar os índios, antes disso, pretende levar àquelas várias cidades - não apenas indígena, mas mestiça - segregadas econômica e culturalmente, alguma fonte de riquezas. Não bastasse o afastamento geográfico daquelas cidades do Brasil real - esse que tem Facebook 24 horas - há uma disparidade econômica, uma pobreza absurda.
Belo Monte deve gerar muitos empregos, renda, transformação social, além de energia, é claro. Isso, tanto em sua fase de construção, como de produção de energia. Importante lembrar que, para que a usina possa funcionar, é preciso criar acessos, infraestrutura e isso significa estrada, pavimentação, rede de comércio, escoamento melhor de produção, fiscalização. Ou seja, o Estado pode enfim chegar onde nunca esteve.
Ibama, Funai e todos estes órgãos, claro que sob alguma intervenção do governo - compreendem e licenciam as obras e a atividade de produção de energia. É claro que há equilíbrio - ou a busca dele - na relação Progresso-Preservação. Postei no Facebook um vídeo que mostra o interesse dos EUA na não-construção da usina e, qual o interesse dos EEUU? Poupar a Amazônia porque amam o verde e os índios? Não. Potências de mercado sabem que se o Brasil ocupar a Amazônia [ou estado do Amazonas] com indústrias, assumirá, definitivamente, o controle dessa disputada região que querem tanto internacionalizar. Por isso são contra.
Precisamos desenvolver a Amazônia - mantendo sua beleza e recursos, é claro - para termos um Brasil mais igualitário e justo. Precisamos que a Amazônia deixe de ser essa que insistem em chamar de 'terra de ninguém'. Alem do quê, creio, o povo de lá anseia por melhores condições de vida. A indústria ilegal de madeira e talvez até da medicina, já explora e gera tão mais prejuízos ecológicos e econômicos que Belo Monte pode gerar.
O vídeo do Gota D’água diz, em tom trágico, que "as águas inundarão 640 km² de Amazônia". Dito assim parece um estrondo. Na verdade são 516 km². O lago de Furnas em Minas Gerais, um dos maiores do Brasil, “inunda”, 1.440 km² e 3.500 km de perímetro, banha 34 municípios do estado. [Wikipedia]. Quase três Belos Montes.
Acorda! A Amazônia tem 4.196.943 km². O estado do Pará é o segundo maior estado do país com uma extensão de 1.247.950 km². Numericamente, a usina de Belo Monte é uma ocupação mínima em se tratando de sua utilidade. Não é a hidrelétrica de Belo Monte que vai devastar o Brasil.
Uma daquelas atrizes do vídeo diz espantada que a usina vai custar trinta-quanto?. Trinta bilhões de reais. Sim. O pior é que no vídeo repetem 30 bilhões, 30 bilhões, 30 bilhões, feito maritacas. É claro que uma cifra desta assusta qualquer pobre, qualquer cidadão brasileiro comum que nem mesmo sabe dimensionar o que seriam 30 bilhões de reais.
O Brasil arrecada com impostos, por mês, cerca de 75 bilhões de reais, e cerca de 900 bilhões de reais ao ano. O que são 30 bilhões? Claro que é um investimento grande, mas quando se pode relativizar as cifras, aí é outra coisa. Só a copa do mundo deve injetar no país, tanto do governo quanto da iniciativa privada, em especial, cerca de 145 bilhões de reais. É muito? É. E muito mais que os 30 bilhões da usina. Só a reforma do Maracanã, já com as corrupções inclusas, já atinge a cifra de 1 bilhão de reais. Não sou muito bom números, mas todos que aqui estão retirei de sites como IBGE, Governo Federal e até do Jornal Nacional, veja você.
Esse tal movimento Gota D’água é uma falácia. Uma farsa canina travestida na pele branca-cordeira e burguesa de alguns artistas que, ou por ingenuidade ou falta de compromisso, assumiram essa postura política um tanto controversa. O debate é necessário e, pela democracia, não devemos negá-lo. Mas o movimento Gota D’água não debate, ele impõe e aliena pela simples força novelesca que cada um daqueles artistas, cegamente vistos como celebridades e formadores de opinião e caráter - vejam que ironia – imputam na sociedade de massa. Sociedade de massa? Sim. Essa que assiste novela todos os dias, que chora e ri de si mesmo enquanto é debochado na TV.
Isso não é debate. Isso é uma tomada de posição radical que usa do poder de influência – nada científico – para pedir e exigir voto. Me incomoda ver a tão engajada colega Letícia Sabatella nessa mixórdia.
Espero que o governo federal se manifeste e busque, de fato, o debate, assumindo com imparcialidade as diversas faces da democracia e do povo brasileiro.
Bola pra frente. Desligue a televisão.
